Então, é Natal!
Eu cresci desacreditado em comemorar o Natal – a seita que frequentei durante a minha infância e juventude me dizia que não deveríamos comemorar o Natal por dois motivos, que me lembre agora:
- Não sabemos o dia exato em que Jesus nasceu
- O Natal era uma festa pagã
Eu acreditei nisso e segui a vida sem comemorar o Natal por muitos anos. Depois me tornei ateu e Jesus era apenas um homem histórico, um líder — alguém que influenciou e criou uma religião que segue a ele até hoje — os cristãos.
O Natal de 2025 é, então, o primeiro ano da minha vida em que vou comemorar o nascimento do meu Salvador. Aquele que nasceu, viveu e morreu pra me dar vida. Não uma vida mortal, mas uma vida eterna. Ainda me lembro dos dias em que eu não entendi isso, nesse nível de detalhe, e me faz refletir sobre quanto tempo eu perdi, sem reconhecê-lo como meu Rei, meu Senhor.
As seitas não comemoram o nascimento de Jesus e usam o argumento burro de não saberem o dia exato do nascimento — mas todos nós sabemos que ele nasceu — e isso pra mim já é suficiente mesmo não importando a data exata – ele nasceu, é um fato!
Quando olhamos para a Bíblia, vimos a história da Redenção desenhada e aprovada por Deus-Pai — trago um resumo dessa história para sua reflexão:
O homem foi criado por Deus à sua imagem, com propósito e liberdade. Foi criado para cultivar o jardim, cuidar da criação e viver em comunhão com ele. Contudo, com a queda, o pecado entrou no mundo e trouxe corrupção e separação de Deus, afetando toda a humanidade. Apesar disso, Deus proveu redenção por meio de Jesus Cristo e ofereceu uma nova vida. A vida humana é única, que culminará no juízo, e, para os que creem, a ressurreição com um corpo glorificado assegura a vida eterna com Deus
pág. 137 – livro “Discipulado começa em casa”, por Ricardo Firagi
Desde o início da criação, Deus, que é onisciente, já tinha esse plano formado, e Deus-Filho (Jesus Cristo) estava com Deus-Pai desde o princípio:
Gênesis 1:26
“Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.“
וַיֹּאמֶר אֱלֹהִים נַעֲשֶׂה אָדָם בְּצַלְמֵנוּ כִּדְמוּתֵנוּ
Vayyómer Elohím naʿaséh ’adám betsalmênu kidmutênu…
Do hebráico original, está claramente no plural:
נַעֲשֶׂה (naʿaséh)
Verbo 1ª pessoa do plural
Significa literalmente: “façamos”
בְּצַלְמֵנוּ (betsalmênu)
“à nossa imagem”
כִּדְמוּתֵנוּ (kidmutênu)
“conforme a nossa semelhança”
É fato que as 3 pessoas de Deus (Pai, Filho e Espírito Santo) estavam juntas nesse momento.
Em seguida da queda, temos o que muitos entendem como o protoevangelho, a primeira manifestação do evangelho
Genesis 3:15
“Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”
Deus aqui fala à serpente, instrumento do Diabo, e a “inimizade” não é natural, é espiritual e ainda estabelece uma separação permanente entre o reino do mal e aqueles que pertencem ao propósito de Deus. A “tua descendência”, ou seja, filhos da serpente, que seguem o caminho do mal — onde “seu descendente”, agora no singular, aponta especificamente para um indivíduo, entendemos então que esse é o próprio Cristo. “Ferirá a cabeça” significa um golpe mortal – Cristo derrota Satanás na cruz de forma decisiva quando o pecado e a morte perdem domínio – “e tu lhe ferirás o calcanhar” indica que Satanás fará Cristo sofrer (e o fez, na cruz), mas não como derrota fatal; houve ressurreição!
Depois séculos se passaram e Deus se mostra ao seu povo, por intermédio de Noé, Abraão, Moisés, Josué, diversos profetas entre muitos, Isaías, que então temos novamente uma profecia que é tão clara como cristal:
Isaías 9:6
“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.”
Nesse momento, novamente apontando para um indivíduo, mas agora com outros atributos – veja que a Bíblia é muito conectada com cada afirmação e trás outras combinações que corroboram para essa afirmação, na própria Bíblia:
Maravilhoso – Deus, na manifestação do Anjo do Senhor, diz que seu nome é maravilhoso – Juízes 13:16 – “Por que perguntaste o meu nome, visto que é maravilhoso?”
Conselheiro – Salmo 73:24 – “Guia-me pela tua sabedoria e depois me receberás na glória.”
Deus Forte – Salmo 24:8 – “Quem é este Rei da glória? O SENHOR forte e valente, o SENHOR poderoso na guerra.”
Pai da Eternidade – Salmo 90:2 – “Antes que os montes nascessem ou que tu formasses a terra e o mundo, de eternidade a eternidade tu és Deus.”
Príncipe da Paz – Romanos 5:1 – “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo.”
Avançamos na história 740 anos até o nascimento de Cristo. Acho importante aqui detalhar um pouco do que foi isso – e faço isso com o maior detalhe possível para que tenhas comigo a mesma perspectiva.
Temos um Deus, criador de tudo o que existe, que decidiu executar um plano de redenção nos homens — arquitetado e coordenado pelo seu Pai, executado e encarnado na pessoa do Deus-Filho, num indivíduo sem pecado (foi gerado em Maria, Virgem, pelo Espírito Santo). Não é tão simples assim perceber isso. Deus, na sua infinita majestade, deixou os céus onde tinha os anjos a glorificá-lo para toda a eternidade — deixou seu trono, desceu na Terra, onde o pecado reinava e manipulava os homens. Deus odeia o pecado, mas veio até aqui pela sua imensa misericórdia, conviveu conosco, vermezinhos que somos — Isaías 41:14 (“Não temas, ó vermezinho de Jacó, povozinho de Israel; eu te ajudo, diz o SENHOR, e o teu Redentor é o Santo de Israel.”)
Tens ideia do quão sofredor isso foi para o Deus-Homem? Como é possível imaginar que esse mesmo Deus desça, conviva, interaja com o pecado? É complexo perceber a grandeza e, ao mesmo tempo, a humildade do Senhor. Só mesmo um Deus de infinita misericórdia, um Deus imutável – sim, ele não muda, ele no começo separou o seu povo, os eleitos, os escolhidos desde a fundação do mundo – Efésios 1:4 (“Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor”, ele então cumpre com a sua palavra executando então o plano de redenção, enviando seu filho para salvar os escolhidos.
Como é rico isso tudo – tudo se encaixa perfeitamente, a bíblia se auto-explica e se alto prova – tudo é justificado e tudo é explicado à luz das escrituras. O nascimento do nosso Deus, encarnado em nosso Senhor Jesus foi marcado por declarações claras de quem era ele e o seu objetivo para conosco:
Lucas 2:10–11
“O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo:
é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.”
Essa declaração é feita pelo Anjo do Senhor (manifestação de Deus, assim como em diversas outras passagens) aos pastores – homens humildes que viviam no campo e guardavam o seu rebanho durante as vigílias. O anjo é muito específico e já dá a informação completa pra não restar dúvidas de que:
- Nasceu na cidade de Davi (cumprindo a profecia de Natã à David) – 2 Samuel 7:12–13 “Quando teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino.”
- É o Salvador
- É o Cristo (Messias)
- É o nosso Senhor
Depois dessa análise detalhada do real motivo do Natal, não me restam mais dúvidas, razões nem nada que possa me impedir de comemorar o nascimento do meu Salvador – se ele não tivesse nascido, depois morrido, eu não teria sido salvo e estaria até hoje sendo odiado por Deus pelo pecado mortal que havia em mim.
Sou grato a Deus todos os dias por ele ter planeado esse projeto de Redenção, ter destacado o Deus-Filho para executar o plano e depois ter me chamado eficazmente para fazer parte dos santos que o adoram e que o glorificam agora na Terra, mas um dia o glorificarão nos céus. Não me canso de agradecer, de lembrar sim, que ele me deu vida quando eu era morto – me deu a vida eterna quando eu não merecia – me tornou merecedor pelo seu sangue na Cruz – e ele fez isso tudo por mim, por você por nós e por todo aquele que se render ao seu chamado e aceitar e se humilhar em seus pés concordando que ele é o Senhor, é o Salvador, fez tudo o que fez com alegria no coração e regozijo no Pai que estava a observar tudo, dia a dia da sua missão aqui na Terra.
Não consigo me prender a nenhuma negação de não comemoração – não consigo me perder em nenhuma contra-argumentação que não seja a de que temos o direito e o dever de comemorar o aniversário do nosso Deus, e que negar essa alegria e essa lembrança me faz até pensar que sou ingrato perante o meu Senhor.
Desejo a todos um Feliz Natal, que sua mesa esteja, sim, cheia de amor, paz, presentes, mas que, acima de tudo, acima do amor, da paz, dos presentes, esteja a consciência clara de que o Natal é sobre Jesus Cristo, que nasceu, viveu, morreu e ressucitou para dar vida eterna aos que são seus.
Mateus 1:21
“Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles.”
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