O mal existe hoje, mas não foi sempre assim!
Na tentativa de detalhar um pouco sobre a origem do mal, trago aqui boas reflexões sobre esse assunto que sempre foi de grande curiosidade — da minha parte, sempre me questionei, afinal, o mal foi criado por Deus? Qual a origem do mal?
Os diversos livros da Bíblia foram escritos com objetivos específicos — já vimos que a Bíblia conta uma história, e para isso, ela faz uso de um conceito que é nomeado como gênero literário, que é distribuído e espalhado por diversos livros — Gênesis não é diferente. O início de Gênesis traz uma linguagem complexa — exige bom estudo para se entender o gênero literário utilizado, mas depois de prestar um pouco mais de atenção, vemos que Gênesis começa com um gênero narrativo-teológico, onde Moisés, autor do Livro, se utiliza de diversos aspectos simbólicos para contar a história da criação.
A narrativa de Gênesis 3 introduz o mal de forma sussinta — quase que não se percebe se lido rapidamente ou sem atenção —. Gênesis 3 é então o início da chegada do mal ao mundo, quando se inicia a narrativa da serpente, que era dos animais mais astutos do campo que o Senhor Deus tinha feito.
A serpente também é e sempre foi desde os tempos antigos, associada à vida e morte, símbolo da medicina — acredito que essa simbologia tem aqui alguma influência da queda no Éden, onde efetivamente o homem morre, por intermédio da serpente — essa coincidência (serpente -> morte -> simbologia) também é interessante.
A trama começa então com a serpente a questionar Eva sobre o que Deus havia determinado — a serpente questiona Eva, e não Adão — Adão foi quem recebeu a responsabilidade de cuidar do Édem — por que, afinal, a serpente vai a Eva?
Gênesis 3:1
“É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?”
É estranho o fato da Eva não perceber que tem ali uma serpente a conversar com ela — nesse estágio da criação, Eva era tão inocente que não estranha o fato de estar a conversar com uma serpente — além do fato da serpente aparentemente ter uma informação importante sobre o que Deus havia dito – o questionamento “Foi isso mesmo que Deus disse?” trás uma dúvida para uma mente inocente – a serpente foi mesmo muito astuta.
A serpente sabia do que Deus havia dito; tanto é que ela mesma traz o que foi dito por Deus a Eva — ela então tenta refutar a Deus — o pecado sempre começa com um questionamento do que é contrário ao curso natural da coisa, a fim de nos validar e garantir que temos um discernimento do pecado. Eva nesse momento não tinha discernimento entre o bem e o mal, por isso respondeu exatamente o que Deus tinha dito a Adão
2. “E disse a mulher à serpente: «Do fruto das árvores do jardim podemos comer;»
3. «mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais.»”
Quando a serpente ouve isso, ela então tem certeza de que Adão partilhou a informação corretamente – depois do aquecimento é então nesse momento que a serpente joga as cartas na mesa:
4. “Então a serpente disse à mulher: «Certamente não morrereis.»
5. «Porque Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal.»”
A origem do mal está relacionada com o uso da liberdade. Deus nos criou com liberdade de escolha. Se Deus nos tivesse criado sem a possibilidade de escolha, seríamos como robôs. Deus nos criou com a possibilidade e liberdade de não amá-lo. Ora, só é possível verdadeiramente amá-lo se tivermos a possibilidade de não amá-lo. É diante da possibilidade de não amá-lo, escolhendo amá-lo, que então somos considerados seres genuinamente livres. A possibilidade de não amá-lo é prova maior do seu amor — que não nos criou forçando-nos a amá-lo
O texto então conclui a cena com a mulher sendo, portanto, enganada pela serpente – por não saber discernir o bem do mal é que ela optou pelo mal – por não se contentar e ter a curiosidade de ser como Deus é que Eva e Adão optam pela possibilidade alternativa contrária ao natural – é justamente a possibilidade de escolha que os leva ao pecado
6. “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto e comeu; e deu também a seu marido, e ele comeu”
Os olhos nos enganam – os sentimentos nos enganam – a liberdade nos engana. Pense nisso.
O versículo 7 diz então que os seus olhos foram abertos, entenderam que estavam nus e então agora finalmente sabem discernir o bem do mal – inclusive agora sabem que a escolha foi má, já que se esconderam do Senhor Deus quando na viração do dia esconderam-se da face d’Ele.
A ruptura aconteceu; o pecado entrou e já não conseguem reconhecer — tudo ainda era novo; não faziam ideia do que aquele ato desencadearia para sempre. É estranho imaginar que não quiseram argumentar, perguntar a Deus se havia algum antídoto para curar aquilo – eles simplesmente se escondem – a culpa do pecado chega sempre rápido – o ser humano, no fundo, sabe que pecou quando peca – muitas vezes nos fazemos de “cegos” e “surdos”, pode demorar pouco ou muito, mas no fundo quando cometemos um pecado, sabemos exatamente o que foi feito – o próximo passo é se arrepender – essa é a parte mais difícil do processo de santificação.
Ninguém assume culpa alguma. Adão culpa Eva, Eva culpa a serpente e a serpente fica com a culpa. Deus então determina a punição para Adão, para Eva e para a serpente
14. Disse o Senhor Deus à serpente: «Porque fizeste isso, maldita serás entre todos os animais e entre todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás e pó comerás todos os dias da tua vida.
15. E porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o descendente dela; este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.» – protoevangelho
16. À mulher disse: «Multiplicarei grandemente a tua dor e a tua concepção; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.»
17. E ao homem disse: «Porquanto deste ouvidos à voz da mulher e comeste da árvore acerca da qual te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por tua causa; com dor comerás dela todos os dias da tua vida.
O simbolismo de Gênesis para demonstração da morte do homem e da punição pela desobediência entra em cena:
19. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; porquanto és pó e ao pó tornarás.»
A palavra “pecado” entra em vigor — a inclinação do homem para o mal então começa a ser demonstrada em todos os próximos capítulos de Gênesis; depois, nos próximos livros, cresce ainda mais o fato do mal ter entrado no homem e o pecado ter tomado conta da sua natureza.
O homem desde então não está bem com Deus, não está bem com os outros, não está bem consigo mesmo. Em nenhum momento o homem — o desdobramento da queda causou dores para sempre e até hoje sentimos as consequências da ira de Deus sob o pecado.
Gênesis 1:31
“E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom. E foi a tarde e a manhã, o dia sexto.”
A criação é perfeita — Deus é perfeito e santo — tudo o que ele fez é perfeito.
O desencontro entre o criador e a criatura não é desde sempre. Isso veio depois, não faz parte da criação original. Nós não estamos confortáveis com o mal – nunca estivemos – isso não é normal para nós. No fundo, sabemos que o mal é tudo o que é contrário ao natural criado originalmente por Deus.
Em nenhum momento o homem tenta dar marcha ré — não tenta voltar-se a Deus — ninguém questionou a serpente; ninguém nunca disse “Vamos validar isso com o Criador?” – penso que somos incapazes de por nós mesmos nos voltarmos a Deus – como diz o apóstolo Paulo aos Romanos:
Romanos 8:7
“Porquanto a mente da carne é inimiga de Deus; porque não se sujeita à lei de Deus, nem mesmo pode. Os que estão na carne não podem agradar a Deus.”
Deus é quem vem pra estender a sua mão por misericórdia: na pessoa de Cristo nos justificou à Deus no madeira da Cruz: vem também na pessoa do Espirito Santo em nos constranger e nos mostrar o caminho da salvação, que também por nós mesmo jamais seria possível alcançar se não fosse a imensa misericórdia do nosso Senhor — desde o início, a Graça de Deus aparece para nos resgatar e nos separar do pecado.
O mal existe, mas já foi vencido por Cristo. Fique em paz e sujeite-se à palavra para que também sejas justificado e não morras.
João 5:24
“Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna… passou da morte para a vida.”
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