Nesse post trago aqui algumas reflexões e aplicações práticas para que não estejamos distraídos e percamos detalhes importantes da fé. Não é muito difícil hoje em dia, perdermos detalhes por estarmos distraídos com coisas diversas – a nossa fé tem sofrido com distrações que passam despercebidas.
O Contexto
O evangelho de João, no capitulo 6 é narrado a multiplicação dos pães. Jesus estava próximo ao mar da Galileia quando uma grande multidão o seguia por causa dos sinais que Ele realizava. Ao ver o povo, perguntou a Filipe onde poderiam comprar pão:
“Isto dizia para o experimentar; porque ele bem sabia o que estava para fazer.” (Jo 6.6)
Deus nos testa as vezes pra entender onde está a nossa fé. O nosso coração é muitas vezes cheio de tranqueiras e nos distraímos com as coisas do dia-a-dia. Devemos ter fé naquele que está ao nosso lado – quando Cristo habita em nosso ser, estamos em contacto com ele todos os dias, todo o tempo – precisamos perceber as coisas ao nosso redor e colocar a fé naquele que já conhecemos.
Jesus então multiplica os pães e completa mais esse milagre na frente de todos aqueles que estavam ao redor:
“Então, recolheram doze cestos dos pedaços dos cinco pães de cevada, que sobejaram aos que haviam comido.” (Jo 6.13)
Cerca de cinco mil homens foram alimentados (sem contar mulheres e crianças).
A multidão então o segue até o mar de Cafarnaum quando então ele começa a dizer que é o Pão da Vida e que desceu dos céus
“Eu sou o pão que desceu do céu.” (Jo 6.41 – ARA)
O texto relata que os Judeus iniciaram uma murmuração a respeito dessa afirmação que Jesus faz – imagino o stress que isso deve ter causado pois tinhamos alí Jesus a dizer claramente que havia vindo dos céus
“Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu.” (Jo 6.41)
Alguns dos que estavam nesse momento, conheciam Jesus desde pequeno, e por isso questionavam:
“Não é este Jesus, o filho de José? Acaso, não lhe conhecemos o pai e a mãe? Como, pois, diz ele: Desci do céu?” (Jo 6.42)
Isso foi tido como um escândalo alí – imagina, o Jesus, filho de José carpinteiro, agora diz “do nada” que veio dos céus? A incredulidade vem normalmente do nosso contexto histórico. Temos essa vida como experiência, aprendemos coisas durante a vida e trazemos tudo isso conosco no dia a dia do nosso futuro – daí quando somos confrontados normalmente somos incrédulos, até que nos provem ao contrário. O ser humano tem essa auto-definição de inteligência e as vezes se mostra cego para evidências. Jesus estava alí, fez o milagre da multiplicação dos pães na frente deles, depois aindou sobre o mar, e ainda isso não era suficiente. A incredulidade pode ser perigosa quando lidamos com o próprio Deus à nossa frente.
Essa reinvindicação clara de origem celestial de Jesus assusta e muito aos Judeus, que tinham como expectativa o Messias que iria revolucionar a situação do povo Judeu – um lider político que iria libertar o povo. A libertação que esperavam era material – estavam já com pressupostos que custou a não fé até os dias de hoje para a esmagadora maioria dos Judeus – hoje as estatísticas dizem que apenas 2% dos Judeus são Cristãos.
“O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.” (João 1:10)
Fizeram alí a sua própria avaliação segundo a carne, não segundo o espírito. É possível estarmos perto de Cristo, ver suas obras, ouvir sua voz, ver os milagres e mesmo assim não crer verdadeiramente. Soberba e falta de humildade causa cegueira espiritual. Conhecimento apenas não substitui a verdadeira fé.
A murmuração
A murmuração nasce normalmente da incredulidade – alí o problema não era falta de evidências, mas a resistência no coração dos Judeus. Quando somos confrontados com verdades impossíveis de acordo com nossos pressupostos, isso as vezes pode se tornar em murmuração. Seguir a Cristo quando ele opera milagres é muito lindo e perfeito, mas quando ele nos confronta com o nosso pecado, nosso orgulho, o coração duro e de pedra não resiste. A murmuração, por sua vez, também revela um coração não regenerado – um coração duro.
No Antigo Testamento (AT) Israel costumava murmurar contra o maná – no tempo de Jesus murmuraram contra ele, o verdadeiro Pão da Vida. Hoje murmuramos contra o Espirito Santo quando Deus age de forma diferente do que esperávamos. O padrão continua o mesmo.
A salvação não nasce da capacidade humana, mas da graça de Deus. A salvação gera conversão, que gera humildade, grátidão, dependência contínua de Deus. Isso tudo confronta a autossuficiência humana que passa por rejeitar a soberania de Deus. Portanto se somos salvos não vai haver murmuração, pois não vai haver incredulidade. Uma coisa está ligada à outra.
“Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer.” (Jo 6.44)
Jesus deixa bem claro que ninguém é autossuficiente. Gosto dessa confirmação direto da boca de Jesus pois tira qualquer dúvida sobre a nossa autossuficiencia e deixa tudo para a soberania de Deus.
Devemos examinar a nossa fé se ela é baseada em benefícios ou é baseada na pessoa de Cristo. Eu estou com Jesus e sigo uma vida de relacionamento próximo apenas quando ele me alimenta ou quando sou confrontado já me disperço e disfaço não ser comigo? Meu coração é aquele que murmura ou é aquele que se rende?
Deixo-vos com essa reflexão, afinal estamos aqui na Terra para a prosperidade da nossa alma – sejamos atentos para sobrepor as distrações que eventualmente podem nos levar distantes de Cristo, o verdadeiro caminho, a verdade e a vida.
Deixe um comentário