Inicio esse tópico relembrando quando eu costumava criticar a Bíblia, por falta de entendimento, conhecimento, pelas suas supostas contradições — eu costumava dizer que a Bíblia tinha verdades de que os próprios crentes faziam questão de se desviar, já que muitas histórias na Bíblia, quando lidas fora do contexto, podem parecer pesadas para ler e seguir à luz dos tempos atuais.

A Bíblia é a mesma ontem e hoje — precisamos é aprender a ler e interpretar de acordo. A coisa mais fácil é criticar sem ter base alguma. Eu aprendi que a Bíblia é uma história contada sobre o passado mas que tem aplicação prática atualmente – não de forma literal pois aí precisaremos tira-la do contexto, mas de forma a aproveitar e entender o princípio passado na narrativa e continuar a aplicar o mesmo princípio hoje – a palavra de Deus foi válida, é valida e será a mesma pra sempre – ela não muda pois Deus é imutável.

Levítico 24:19–20

“Se alguém causar defeito em seu próximo, como ele fez, assim lhe será feito: fratura por fratura, olho por olho, dente por dente; como ele tiver desfigurado algum homem, assim lhe será feito.”

Muitos críticos da Bíblia usam esse e outros textos para corroborar a ideia de que a Bíblia induz os homens à maldade — ou que a Bíblia é um conjunto absurdo de mandamentos que hoje não fazem mais sentido, e por isso tudo o que está na Bíblia já não faz sentido, portanto, deve ser ignorado.

Levítico é o livro das leis — leis inspiradas por Deus ao povo de Israel para impor justiça num mundo completamente desorientado. Quando estamos no contexto de início de uma civilização, alguma justiça precisa ser implementada.

Alguns textos na Bíblia, se lidos à luz dos tempos atuais, podem efetivamente causar arrepios:

Salmos 58:6–9

“Ó Deus, quebra-lhes os dentes na boca; arranca, Senhor, os queixais aos filhos dos leões. Desapareçam como águas que se escoam; ao dispararem flechas, fiquem elas embotadas. Sejam como a lesma que se derrete ao passar, como o aborto de mulher, que nunca viu o sol.
Antes que as vossas panelas sintam o calor dos espinhos, tanto verdes como secos, ele os arrebatará.”

Que coisa pesada! Palavras pesadas! A Bíblia expõe textos como esses de forma honesta, relatando o que o povo da época pedia. Pediam justiça pela injustiça que estavam a sofrer na altura.

Os Salmos imprecatórios são os Salmos que pedem por justiça. Não estamos aqui a falar sobre coisas simples — não estamos a falar sobre alguém que brigou com o vizinho — nem alguém que cruzou na frente do trânsito. Estamos a falar de coisas cruéis — ameaças de morte real. Quando esse povo pedia justiça, era por coisa grande. Era um tom forte.

Ao pedir justiça a Deus, o homem estava a reconhecer que por ele não seria possível fazer justiça, tamanha a grandeza da injustiça — então o Senhor é quem era capaz de fazer justiça.

Qual afinal o posicionamento de Jesus?

Quando avançamos alguns séculos, quando a civilização já estava de certa forma organizada, estruturada, e a justiça de Deus já havia se estabelecido, temos então Jesus a tratar esse assunto de forma diferenciada:

Mateus 5:38-40

Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente.
Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, oferece-lhe também a outra;
e, ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa.
Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas.
Dá a quem te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes.”

Nesse ponto, Jesus vai num caminho diferente e traz uma proposta diferente, baseada no evangelho. É claro que Jesus conhecia a lei e conhecia a Torá (Velho Testamento) — o tratamento do mal agora pode ser tratado com amor. Aquele que está no caminho do mal — aquele que está pronto para a maldade — pode ser agora desarmado pelo perdão e amor de Cristo para com os homens. Jesus diz para não oferecer resistência — não pagar o mal com o mal, pois o perdão pode também ser um mecanismo de justiça no coração do outro — o aquebrantamento do coração do próximo, baseado no amor de quem sofre a injustiça, pode ser muito efetivo.

O seu relacionamento com Deus deve ser um mecanismo para desarmar o mal do próximo e pode, em muitas das vezes, trazer clareza ao que está em trevas, e por estar em trevas é que está vendido à maldade, ao desprezo e ao desespero em fazer o mal a quem está na luz. Nossa missão é mostrar ao que está em trevas que a luz é mais confortável — é mostrar que o Senhor nos dá segurança e nada mais importa além de fazer a vontade de Deus. A justiça de Deus é mais eficaz do que a justiça de homens.

O poder da graça é tão competente para mudar corações como para trazer à luz quem está na escuridão. O mundo atual floresce com o poder da graça de Deus que muda o coração do homem e tem poder de transformar o pior indivíduo num discípulo e seguidor da paz e do amor de nosso Senhor.

Fique com a paz e a justiça do nosso Senhor no vosso coração. Amém!

One response to “Olho por olho, dente por dente”

Deixe um comentário