Quando olhamos para o céu

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Esta semana estive a meditar no Salmo 8 e fui confrontado por algo muito simples: há muito tempo que não paro para olhar para o céu.

Na verdade, durante grande parte da minha vida olhei para o céu e não vi nada além do cosmos. Via apenas matéria, acaso, coincidências e leis naturais. Olhava para a criação sem enxergar o Criador.

Até que Cristo me despertou.

Chamou-me para Si, abriu os meus olhos e fez-me ver aquilo que sempre esteve diante de mim, mas que eu nunca tinha realmente contemplado.

Vivemos sempre ocupados. Há trabalho para fazer, problemas para resolver, mensagens para responder e preocupações a ocupar a mente. Sem darmos por isso, passamos dias inteiros concentrados apenas nas coisas que estão à nossa frente, presos ao imediato e ao curto prazo.

David fez o contrário e levantou os olhos.

Ao contemplar os céus, a lua e as estrelas, não ficou impressionado com o homem. Ficou impressionado com Deus.

“Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste…”

Salmo 8:3 (ARA)

Gosto particularmente da forma como David descreve a criação. Os céus são a “obra dos teus dedos”. Aquilo que para nós parece imenso, para Deus é apenas a obra das Suas mãos.

E é precisamente nesse momento que surge a pergunta:

“Que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites?”

Salmo 8:4 (ARA)

Penso que todos nós já fizemos esta pergunta de alguma forma.

Porque é que Deus Se importa connosco?

Porque é que o Criador do universo se preocupa com pessoas tão pequenas, tão limitadas e tantas vezes tão pecadoras?

O mais impressionante é que David não encontra a resposta em si mesmo. Ele não fala da inteligência do homem, das suas capacidades ou das suas conquistas.

A resposta está em Deus. É Deus quem Se lembra do homem. É Deus quem visita o homem. É Deus quem lhe concede honra e dignidade.

Quanto mais meditamos na grandeza de Deus, mais extraordinária se torna a Sua graça.

Mas enquanto lia este salmo, lembrei-me de outra passagem. O autor de Hebreus cita precisamente estas palavras:

“Que é o homem, que dele te lembres? Ou o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, por um pouco, menor do que os anjos, de glória e de honra o coroaste e o constituíste sobre as obras das tuas mãos; todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés.”

Hebreus 2:6-8 (ARA)

E depois faz uma observação que me chamou a atenção:

“Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas.”

Hebreus 2:8 (ARA)

É verdade.

O Salmo 8 fala do domínio dado ao homem sobre a criação, mas basta olhar à nossa volta para perceber que algo está errado. O pecado deixou marcas profundas no mundo. Vemos sofrimento, injustiça, doença e morte. Não vemos ainda todas as coisas sujeitas ao homem como Deus planeou no princípio.

Mas Hebreus não termina aí.

Depois de dizer o que ainda não vemos, aponta para aquilo que devemos ver:

“Vemos, todavia, Jesus…”

Hebreus 2:9 (ARA)

Nem sempre compreendemos o que Deus está a fazer. Nem sempre vemos o cumprimento das Suas promessas. Nem sempre entendemos porque certas coisas acontecem. Mas vemos Jesus.

Ah sim, esse vemos!! Vemos Ele coroado de glória e honra. Vemos Ele como o Homem perfeito que fez aquilo que Adão não conseguiu fazer. Vemos Ele -Lo como o Rei a quem todas as coisas serão finalmente sujeitas.

Talvez seja essa a grande lição que levo deste salmo. Quando olhamos apenas para nós mesmos, encontramos motivos para preocupação. Quando olhamos para o mundo, encontramos motivos para desânimo.

Mas quando olhamos para Cristo, encontramos motivos para esperança.

O Salmo 8 começa e termina da mesma forma:

“Ó SENHOR, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome!”

Salmo 8:1,9 (ARA)

Depois de tudo o que David contemplou, essa foi a sua conclusão.

E também deve ser a nossa. Erguer os olhos para além das circunstâncias, contemplar a grandeza de Deus e descansar na certeza de que o Senhor que sustenta as estrelas continua a governar cada detalhe da nossa vida.

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