Ontem, ao meditar em Romanos 12:1-2, fui confrontado com uma verdade que facilmente esquecemos: o culto não termina quando termina a reunião que fazemos da igreja no domingo.
Durante algum tempo, antes de entender o verdadeiro significado de culto, associei adoração quase exclusivamente ao que acontece ao domingo. Ao tempo de louvor, à oração, à pregação e à comunhão com os irmãos. Tudo isso é precioso e indispensável, mas o apóstolo Paulo leva-nos muito mais longe. Ele mostra que a verdadeira adoração continua quando regressamos a casa, quando enfrentamos a rotina, o trabalho, a família e todas as pequenas decisões do dia-a-dia.
“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.”
Romanos 12:1 (ARA)
O que mais me chamou a atenção foi a expressão “pelas misericórdias de Deus”. Paulo não nos pede uma vida de entrega para conquistarmos o favor de Deus, mas precisamente porque já fomos alcançados pela Sua graça.
A obediência nasce da gratidão – (reflete nessa frase por alguns segundos)
A santidade não é um meio para sermos aceites por Deus; é a resposta de quem já foi recebido em Cristo.
Depois vem um desafio que nunca deixa de ser actual: não nos conformarmos com este mundo. É impressionante como, sem darmos conta, começamos a pensar, falar e valorizar as mesmas coisas que todos à nossa volta. O mundo não precisa de fazer muito barulho para nos moldar; basta que deixemos de renovar a mente pela Palavra.
“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
Romanos 12:2 (ARA)
Confesso que também sinto e vivo essa luta. Existem dias em que é mais fácil adaptar-me ao ritmo do mundo do que permitir que Deus molde os meus pensamentos. É uma luta diária, mas creio que Deus me fará vencer mais batalhas a medida que vou entendendo mais a sua vontade na minha vida.
Mas este texto lembra-me que a transformação não acontece por força de vontade – muito menos nossa, pois somos incapazes por natureza e sabemos que ” … é Deus quem nos capacita”. Ela acontece quando a mente é continuamente renovada pelas Escrituras e quando o Espírito Santo vai conformando o nosso coração e nos moldando à imagem de Cristo, dia após dia … ano após ano.
Esta segunda-feira é um bom dia para recordar que o culto continua. Cada escolha, cada palavra, cada atitude pode ser um acto de adoração oferecido Àquele que teve misericórdia de nós e continua a ter todos os dias, e terá para sempre pois essa é a sua promessa.
Que esta semana seja vivida não apenas com a memória da pregação de ontem, mas com um coração disposto a oferecer toda a vida como um sacrifício vivo para a glória de Deus.

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