Quem pode habitar na presença de Deus?

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Esta semana fiquei preso a uma pergunta que David faz logo no início do Salmo 15:

“SENHOR, quem habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte?”

Salmos 15:1 (ARA)

Enquanto lia o salmo, percebi que David não está a apresentar uma lista de regras para alguém merecer aproximar-se de Deus. O que ele descreve é o retrato de uma pessoa cuja vida foi transformada por Deus. Alguém que procura viver aquilo que diz crer.

Chamou-me a atenção o facto de David não falar de conhecimento, de ministérios ou de atividades religiosas. Ele fala da forma como tratamos as pessoas. Da verdade que dizemos. Da palavra que mantemos, mesmo quando nos custa. Da integridade, especialmente quando ninguém está a ver.

Foi aqui que o salmo começou a falar comigo.

É muito mais fácil parecer um bom cristão durante duas horas no domingo do que viver como discípulo durante toda a semana. O verdadeiro teste da nossa fé acontece nas conversas do dia a dia, nas pequenas decisões, na forma como reagimos quando somos contrariados ou quando falamos de alguém que nem sequer está presente.

E, quando escrevo isto, não estou a apontar o dedo a ninguém.

Muito pelo contrário. Se há alguém que foi confrontado por este salmo, fui eu. Ainda falho demasiadas vezes naquilo que digo, na forma como respondo e até naquilo que penso sobre os outros. Não escrevo isto como quem já chegou, nem como quem quer ensinar boas maneiras. Escrevo porque o Espírito Santo usou este salmo para me mostrar áreas da minha vida que ainda precisam de ser moldadas. Olho para trás e vejo algum crescimento, graças a Deus, mas também vejo quanto caminho ainda tenho pela frente.

O Salmo 15 lembra-nos que a fé nunca foi pensada para ficar limitada ao culto de domingo. Ela acompanha-nos para casa, para o trabalho, para a família e para todos os lugares onde ninguém nos chama “irmão”. É aí que a nossa integridade é realmente posta à prova.

Enquanto meditava, dei por mim a fazer uma pergunta diferente da de David. Em vez de perguntar: “Quem pode habitar na presença de Deus?”, comecei a perguntar: “A minha vida demonstra que pertenço a esse Deus?”

Mas o salmo faz ainda outra coisa. Ele mostra-me que, por mais que eu deseje viver assim, nunca conseguirei fazê-lo de forma perfeita. Quanto mais olho para este retrato, mais percebo que ele me conduz até Cristo.

Foi Cristo quem viveu o Salmo 15 de forma perfeita. Nunca mentiu. Nunca agiu com injustiça. Nunca falou mal do próximo. Nunca colocou os Seus interesses acima da vontade do Pai. E é por causa da Sua justiça, e não da minha, que hoje posso aproximar-me de Deus.

Ao mesmo tempo, essa graça não me deixa acomodado. O mesmo Cristo que me justificou é Aquele que continua a transformar-me. Aos poucos, muitas vezes de forma lenta e dolorosa, o Espírito Santo vai limando aquilo que ainda não se parece com Cristo.

O salmo termina com uma promessa maravilhosa:

“Quem deste modo procede não será jamais abalado.”

Salmos 15:5b (ARA)

Vivemos dias em que tudo parece mudar constantemente. Valores mudam, opiniões mudam, prioridades mudam. Mas Deus continua a chamar o Seu povo a viver de forma íntegra, não para conquistar o Seu favor, mas porque já fomos alcançados pela Sua graça.

A minha oração, depois de meditar neste salmo, é simples: que Deus continue a revelar aquilo que ainda precisa de mudar em mim. Que eu nunca deixe de descansar na obra perfeita de Cristo, mas que também nunca use essa graça como desculpa para permanecer igual. Quero que, pouco a pouco, a minha vida se pareça mais com Aquele que me salvou.

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